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Salão FNLIJ festeja uma semana com o VI Encontro de Autores Indígenas

 O sétimo dia do Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens foi marcado pelo VI Encontro de Autores Indígenas. O seminário é um dos pontos altos do evento e, nesta edição, contou com a presença de representantes de mais de 20 populações indígenas. Índios, educadores e curiosos encheram o auditório para escutar os depoimentos dos principais nomes da literatura e das artes destes povos, além de interagirem um pouco mais com a sua cultura.

Após o ritual de apresentação, no qual os convidados dançaram e cantaram em uma grande roda, o encontro começou com o tema "Caminhos da Memória”. Nomes como Marcos Terena, Graça Graúna, Severiá Idioriê e Ely Macuxi falaram sobre memória, oralidade e literatura. Para Marcos, o fato de os indígenas não terem o costume de ler é o maior desafio para que a literatura desses povos seja desenvolvida. Por que o índio vai ler na sua língua, se ele pode ouvir? O índio tem a capacidade de falar e de escutar de verdade, porque ele faz isso com o coração, afirmou o líder. 

Por outro lado, a professora Severiá chamou a atenção para a importância da literatura na conservação dos valores indígenas. A literatura escrita é consequecia da fala, é uma forma de recriar as memórias dos antepassados. Quem escreve tem que fazer a criança ter prazer de ler, para que isso se torne uma memória.

O último debate da manhã contou com a presença de Eliane Potiguara, Siridiwê Xavante, Luciana Kaingang e Xohã Karajá. Além de reafirmar conceitos como a memória e a oralidade, os palestrantes falaram sobre difundir a cultura indígena através das artes. Xohã comentou sobre o papel dos símbolos e de manifestações artísticas como o canto, a dança e os rituais para instituir os clãs, enquanto Luciana defendeu a importância do debate no Salão FNLIJ. "Aqui é um espaço para nós indígenas falarmos de nós mesmos, não são antropólogos ou sociólogos falando da gente". 

"Como os indígenas têm buscado atualizar a memória a partir das novas tecnologias” foi o tema do debate da tarde. Alex Pankararu surpreendeu a platéia ao mostrar a rede social existente há cerca de cinco anos, Índios Online (www.indiosonline.org.br), na qual 21 povos indígenas registrados usam esta plataforma para trocar informações e preservar as suas tradições e cultura.

“O Índios Online é a nossa oca digital, uma mídia livre dos povos indígenas para mantermos o diálogo intercultural entre índios e brancos também. Neste espaço os próprios índios, que chamamos de etno-jornalistas, contam suas histórias de seus jeitos, sem modificações”, conta Pankararu.

Já Isabel Taukane, da etnia Kura Bakairi do Mato Grosso, usa a tecnologia a serviço de seu trabalho como “rastreadora”. Primeira índia formada em Comunicação Social no Brasil, Isabel desenvolveu o Círculo dos Saberes Indígenas depois de frequentar, por três anos seguidos, o Projeto Pegadas Brasil, um braço da ONG The Tracking Project. Círculo dos Saberes é um projeto que resgata as tradições indígenas ao abordar a consciência cultural e o respeito à natureza entre os povos indígenas do Mato Grosso. O Círculo promove encontros de congraçamento em que são apresentadas as grafias, ornamentos, mitos e cerimônias de cada população.

Já o líder xavante Caimi Waissé contou a sua experiência pessoal com a descoberta de tecnologia e como ela não é mais tão distante das aldeias como em sua época de criança. “Quando pequeno, uma antropóloga americana chegou à minha aldeia com uma filmadora. Nós, crianças, estranhamos muito aquela mulher que olhava tudo através de lente e, inclusive, suspeitávamos que ela poderia ser um robô. No entanto, a partir desse primeiro contato,fui desenvolvendo a minha curiosidade e a vontade de aprender”.

A antropóloga deixou na aldeia algumas câmeras para que os índios registrassem o seu cotidiano. Hoje, a ONG Vídeo nas Aldeias já forma jovens indígenas para trabalharem como cineastas.

Caimi Waissé encerrou a apresentação com um canto xavante e com a apresentação de um documentário produzido pela ONG.

 



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