• O dia-a-dia de Dadá

    • Editora Formato
    • Autor(a) Marcelo Xavier
    • Ilustrador(a) Marcelo Xavier
    • Premiação Prêmio FNLIJ 1988 Imagem
Monday, 26 August 2013 12:25

Atrás da porta

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De Ruth Rocha. Il. Elisabeth Teixeira. Rio de Janeiro: Salamandra, 1997. 32p. De Ruth Rocha. Il. Elisabeth Teixeira. Rio de Janeiro: Salamandra, 1997. 32p.

De Ruth Rocha. Il. Elisabeth Teixeira. Rio de Janeiro: Salamandra, 1997. 32p. 

 

Atrás da porta. Ruth Rocha. Il. Elisabeth Teixeira. Rio de Janeiro: Salamandra, 1997. 32p. (16 x 23 x 0,2 cm - 90 gr.)

  • Láurea "Altamente Recomendável para a Criança"- FNLIJ - 1997

PARECER 1

O clima inicial da história se desenvolve em torno das histórias que Dona Carlota contava para seu neto Carlinhos. E que histórias eram aquelas, a impressão que se tinha é que Dona Carlota conhecia todas as histórias do mundo. E que encanto tinham as fadas, os lobos ferozes, os reis e rainhas, os piratas e marinheiros.

Carlinhos não tirava a avó e suas histórias da cabeça e nas horas vagas ficava mexendo em tudo que tinha no quarto da avó e tanto mexeu, que um dia, encontrou uma porta secreta e misteriosa na parede. E em torno dessa misteriosa porta que Carlinhos encontrou uma sala enorme com um grande retrato da avó querida com um livro na mão toda forrada de estantes de livros. E a partir desse dia a rotina noturna daquela casa mudou e mudou em função do surgimento de uma biblioteca, que os personagens não sabiam pertencer à escola em que estudavam.

A ambientação do enredo da história numa biblioteca escolar, resgata a importância que este espaço ocupa na formação de uma criança dentro do ambiente formal da educação escolar. Garantir um espaço apropriado para o convívio da criança com um acervo diversificado e próprio para o estabelecimento de uma relação mais integral com o objeto livro.

Com seu texto envolvente, Ruth Rocha, escreve uma verdadeira elegia ao livro, à biblioteca e à leitura como fonte de prazer e entretenimento, envolvendo seu leitor convidando-o a acompanhar a turma de Carlinhos na descoberta do mundo maravilhoso do texto literário.

Elisabeth Teixeira compõe o projeto gráfico deste livro com ilustrações sensíveis, num perfeito diálogo com o enredo proposto. O livro, enquanto objeto, consegue com seu projeto gráfico traduzir para o leitor parte daquilo que a narrativa trata, a magia de um livro de histórias bem escrito e ilustrado.

Ruth Rocha, com mais de vinte e cinco anos de criação literária para crianças e jovens, continua surpreendendo seus leitores com narrativas instigantes e comprovando a importância do papel que ocupa no cenário nacional e internacional de literatura infanto-juvenil.

Conhecer o conjunto da obra de Ruth Rocha significa percorrer o caminho fantástico das histórias de Dona Carlota, personagem desta história que em muitos momentos se confunde com a autora.

Graça Monteiro Castro

PARECER 2

O livro tem como tema a própria leitura, relatando a experiência de um grupo de crianças ao descobrir a biblioteca e os livros que, em suas páginas, revelam um mundo de histórias e de informações sobre os mais diversos assuntos.

Elisabeth Teixeira cria uma ilustração que constrói, com muita riqueza, o espaço da biblioteca da vovó Dona Carlotinha: o mobiliário antigo, as estantes altas, os retratos, mas também o aconchego da velha contadora de histórias que permite às crianças de pijamas e camisolões esparramarem-se como em um colo macio para ouvir histórias.

A contraposição entre as pequenas ilustrações no início ou no fim das páginas, com as de página inteira, página e meia, página dupla entremeadas de muito branco confere dinamismo ao livro, tornando-o muito agradável ao olhar. A capa descreve o título, mas sugere o mistério com a luz da vela que se mostra insuficiente para revelar o que pode haver do lado de lá.

Atuando no cenário da literatura infanto-juvenil há mais de 20 anos e responsável por uma larga produção, Ruth Rocha é um nome consagrado, quer como responsável por diversas revistas infantins, quer como tradutora e adaptadora ou ainda como autora de diversas histórias marcadas por uma prosa ágil entremeada de uma dialogicidade fluente.

Em Atrás de porta, a narrativa de mistério que ancora a discussão da importância das bibliotecas e da leitura é pretexto para que Ruth possa tratar da função da leitura e do papel e funcionamento das bibliotecas, principalmente as escolares, que são, para boa parte das críticas brasileiras, o único contato possível com o mundo dos livros.

A obra apresenta um outro lado da autora de Marcelo, marmelo, martelo,A primavera da lagarta, Nicolau tinha uma idéia, O reizinho mandão", entre outros; seu engajamento na luta, pelo direito à liberdade de ler dos meninos brasileiros.

Enquanto objeto - cuidado com o projeto de capa, com ilustração e com a leveza da diagramação - o livro é um bom exemplo da qualidade editorial da produção brasileira.

Ruth Rocha é um nome que deve estar presente numa biblioteca que procure representar a produção nacional para crianças e jovens.

Maria José Nóbrega

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