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Quarta, 28 Agosto 2013 17:21

Mitos: o folclore do Mestre André

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De Marcelo Xavier. Il. Marcelo Xavier. Belo Horizonte: Formato,1997. 28p.  De Marcelo Xavier. Il. Marcelo Xavier. Belo Horizonte: Formato,1997. 28p.

De Marcelo Xavier. Il. Marcelo Xavier. Belo Horizonte: Formato,1997. 28p. 

 

Mitos: o folclore do Mestre André. Marcelo Xavier. Il. Marcelo Xavier. Belo Horizonte:Formato,1997. 28p. (22,5 x 28,1 x 0,2cm - 110gr.)

  • Láurea "Altamente Recomendável para a Criança" - FNLIJ - 1997

PARECER 1

Marcelo Xavier tem como um de seus principais atributos, sem sombra de dúvida, a versatilidade: nesta obra, é ele o responsável pelo texto, pela ilustração e pelo projeto gráfico, todos de excelente qualidade.

A proposta do livro é informar o leitor acerca de alguns dos mitos do folclore brasileiro, sem perder de vista a função recreativa e recriativa do texto literário. Já na apresentação da proposta da obra, Marcelo Xavier nos brinda com um relato bem humorado e divertido dos fatos que o levaram à realização deste projeto.

É por intermédio da personagem Mestre André, um contador de histórias que sabe de tudo um pouco, que teremos informações a respeito do que é folclore e sobre seus personagens mitológicos. Utilizando-se da estratégia de veicular conceitos e informações através de um texto ficcional, o autor faz Mestre André dialogar sobre os mitos folclóricos com as crianças que o procuram, fazendo dos diálogos entabulados verdadeiros textos informativos sobre personagens mais do que fantásticas: o saci-pererê, o boitatá, o lobisomem, o curupira, Jurupari, a mula-sem-cabeça e o boto.

As ilustrações do livro, que na verdade são belas fotografias resultantes de um meticuloso trabalho de modelagem de personagens e cenários com massa plástica feito pelo próprio Marcelo Xavier, exercem grande fascínio sobre os leitores tanto pela sua beleza e colorido quanto pela sua originalidade. As cores, o jogo de luz e sombra, a perfeição das figuras modeladas dão o tom de encantamento às imagens plásticas.

Vale ressaltar que, no final do livro, o autor acrescenta a bibliografia por ele consultada sobre o tema e que, ao concluir a história, conclama os leitores a ampliar seus conhecimentos sobre o universo do folclore brasileiro a partir de pesquisas em diferentes veículos de informação e entrevistas. Não resta dúvida, portanto, de que se trata de uma obra de cunho informativo, mas que mantém um caráter de literariedade.

Marcelo Xavier, que além de escritor é artista plástico, tem outras obras publicadas e premiadas que apresentam essa mesma técnica de ilustração, entre elas, O dia-a-dia de Dadá e Asa de papel.

Margareth Mattos - PROALE/UFF

PARECER 2

Marcelo Xavier realiza em Mitos o folclore do Mestre André uma multiplicidade de linguagens na realização intertextual da sua obra, feita de citações, informações, memória, imagens e recriação verbal de matérias - inclusive mitos - do folclore brasileiro.

O livro é um objeto sedutor no tamanho, no impacto das cores, na beleza da capa, na gostosura e poeticidade do tom.

A montagem, que interpõe linguagens, tem caráter criativo de registro/reconto de mitos do folclore brasileiro. O espaço intertextual da linguagem integra partes que se complementam em sentidos. A abertura com a cantiga do folclore brasileiro - "Foi na loja do Mestre André/ que eu comprei uma cornetinha./Tá, tá, tá, uma cornetinha"... - dá o tom geral, que recobre o aproveitamento da matéria folclórica de poesia da infância e do imaginário popular.

Na referida montagem são fundamentais todos os planos em diálogo:

O texto introdutório ao livro, em que flui matéria de memória do artista, as suas vivências de infância na fazenda dos avós no interior de Minas. Do tempo de férias no meio rural, vem o registro do contato com o genuíno espírito folclórico de rituais; costumes; crendices (a chegada da Folia de Reis, a acolhida pelo dono da casa e o agrado com os típicos queijo, broas, biscoitos); a roda em torno do tio para a contação de histórias à noite; o café na cozinha. Dessas vivências das raízes fica a demonstração do verdadeiro conceito do folclore que está no perfil original da identidade cultural individual e coletiva.

A apresentação do Mestre André: a personagem-narradora que conta histórias às crianças, e "que parece saber um pouco de tudo. Mora no alto de uma ladeira, numa daquelas casas com jardim, sótão, porão, varanda, biblioteca e piano". Através da técnica do contador de histórias, que todo fim de tarde reúne as crianças da rua para lhes encantar com histórias de tempo e lugares distantes, Marcelo Xavier transmite com leveza conceitos, informações valiosas, repassa manifestações que nutrem o imaginário e cultiva a memória dos pequenos ouvintes, enfeixando na obra o plano seguinte.

A narração de mitos brasileiros, dedicando a cada um deles informações e a caracterização de sete seres fantásticos, com o sabor imaginoso de reconto literário.

Mestre André, como compete ao narrador, encerra a narração, convidando os seus ouvintes a pesquisarem mais (através de livros, revistas, filmes e pessoas da família, escola, rua) sobre os mitos.

As ilustrações tridimensionais: trabalho laborioso, artesanal de massinha de Marcelo Xavier. Através delas o artista recria e ao mesmo tempo informa, despertando o olhar com o encantamento do universo fabuloso, mítico; personagens e objetos de cenas, moldados e montados nos cenários, ganham maior efeito de beleza com a fotografia de Gustavo Campos.

A afinidade, em termos gerais, das crianças com o universo artístico de Marcelo Xavier se deve, sobretudo, ao contato mágico com as imagens que repercutem na fantasia infantil como brinquedos, que têm vida, animados ludicamente. Da experiência peculiar, que ele realiza desde 1986, ganharam vida livros só de figuras (Construindo um sonho, O dia a dia de Dadá), com textos e imagens (Asa de papel, Tem de tudo nesta rua, e outros em parceria com escritores. O seu Mitos folclore do Mestre André inaugura a Coleção O folclore do Mestre André, que vem enriquecer, no Brasil, as iniciativas artísticas de resgate e recriação de manifestações da cultura popular.

Vânia Resende

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