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Quarta, 28 Agosto 2013 18:07

O dilema do bicho-pau

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De Angelo Machado. Il. Raquel Lourenço. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997. 24p.  De Angelo Machado. Il. Raquel Lourenço. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997. 24p.

De Angelo Machado. Il. Raquel Lourenço. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1997. 24p. 

 

O dilema do bicho-pau. Angelo Machado. Il. Raquel Lourenço. Rio de Janeiro:Nova Fronteira,1997. 24p. (25,5 x 18 x 0,4cm - 130 gr.)

  • "Acervo Básico Anual - Informativo " - FNLIJ - 1997

PARECER 1

Angelo Machado é um ecologista que, além de todas as suas funções científicas, consegue transmitir às crianças o seu amor pela natureza, através das histórias que conta, sempre a partir de dados concretos da realidade, mas buscando a liberação do imaginário infantil, pela fantasia.

O Dilema do bicho-pau é a história desse bicho curioso, parente dos grilos e das esperanças, e que se confunde com um graveto, no curioso processo de "mimetismo" que muitos seres usam, na natureza, para escapar de seus predadores.

O bicho-pau dessa história de Angelo Machado é muito curioso e tudo pergunta a sua mãe. Quando criança, seu maior desejo era ser lápis-de-cor. Adulto, resolveu sair de casa, para conhecer o mundo, tentando solucionar a dúvida que sempre tinha: "era bicho ou pau"?

Em alguns momentos, o texto narrativo dialoga com o leitor, convidando-o a descobrir o protagonista no seu habitat. As ilustrações de Raquel Lourenço, naturalistas, buscam reproduzir o colorido da natureza descrita ou sugerida no texto. Para fugir do passarinho, seu maior inimigo, o bicho-pau confunde-se com os galhos e sente-se feliz por isso. Da mesma maneira procede com os mico-leões e com a cozinheira, que busca lenha para o fogo. Mas aí, se dá mal e é salvo pela menina, que se torna sua amiga. Sua conclusão é que, às vezes é bom ser bicho e, às vezes, é bom ser pau.

Em O bicho-pau, Angelo Machado realiza uma obra informativa, sem perder a magia e o encantamento tão necessários à fantasia infantil. A linguagem clara, límpida, dialogada, tornam o livro de agradável leitura, que "diverte, ensinando". Ao mesmo tempo que o leitor, criança ou não, acompanha a história do personagem principal, aprende, também, a vivenciar os seus dilemas no mundo e a necessidade de ora "ser bicho", ora "ser pau".

Francisco Aurélio Ribeiro

PARECER 2

Em O Dilema do bicho-pau, Angelo Machado, escritor e cientista, trata de uma questão voltada para o meio ambiente, que é a tônica da obra deste autor. A história mostra a vida de um inseto que se parece um pau e vive às voltas para se salvar do ataque de outros bichos. Utilizando recursos de brincadeiras, o autor cria situações inusitadas em que se passa por pau ou por inseto, de acordo com o que lhe convém.

Com uma linguagem divertida, é trabalhado o fenômeno do mimetismo, que um animal fica parecido com outro ou fica disfarçado no meio ambiente para se proteger. Mais do que introduzir elementos da biologia em seu texto, o autor trabalha aspectos muito discutidos na mídia e na educação, voltados para a preservação do meio ambiente, para o respeito aos animais. E para a criança aprender isso, nada melhor que vivenciá-los pela leitura do texto literário, pelas vias do imaginário.

Nota-se aqui a dialética do olhar e do ser olhado, quando no primeiro momento o bicho olha o ser humano e, posteriormente, quando é olhado por ele - a menina que o salva de ser queimado. Esses dois olhares diferentes revelam pontos de vista enriquecedores para a leitura que pode desencadear a discussão de questões como a ameaça e a defesa tão bem trabalhadas na obra.

Na impressão do livro são explorados diferentes tons de verde, que compõem uma plástica bonita, cheia de vida. As ilustrações são realistas, ocupando páginas inteiras que por vezes servem de fundo para os textos. O movimento e a sensibilidade do inseto são reproduzidos pela ilustradora que também faz mimetismos com as imagens. O leitor se encontra diante da tarefa de descobrir o bicho-pau entre gravetos na árvore ou no chão.

Na composição de cenas que envolvem ora os bichos, ora as plantas, ora os humanos, a artista se esmera em detalhes peculiares ao universo de cada um desses seres vivos, como se respeitasse as diferentes formas que os constituem. A busca da identidade, tão bem abordada no texto, está presente nas ilustrações que colocam a criança diante do ser diferente (bichos, animais) e também do que é bicho e parece pau, ou o contrário - são aspectos facilitadores da constituição de sua subjetividade, em contato com o outro.

Ninfa Parreiras

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