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Monday, 26 August 2013 13:01

Brincando com os números

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De Massin. Il. Os Gatos Pelados. Trad. Heloisa Jahn. São Paulo: Cia. das Letrinhas, 1995. 40p. De Massin. Il. Os Gatos Pelados. Trad. Heloisa Jahn. São Paulo: Cia. das Letrinhas, 1995. 40p.

De Massin. Il. Os Gatos Pelados. Trad. Heloisa Jahn. São Paulo: Cia. das Letrinhas, 1995. 40p. 

 

Brincando com os números. Massin. Il. Os gatos pelados. Trad. Heloisa Jahn. São Paulo:Cia. das Letrinhas,1995. 40p (23 x 33,5 x 0,4cm - 120gr.)

  • Láurea "Altamente Recomendável Tradução - Livro Informativo" - 1995 - FNLIJ
  • Menção no Prêmio Gráfico para Criança da Feira de Bolonha - 1994

PARECER 1

Esta muito bem humorada brincadeira com números propõe ao leitor das séries iniciais uma viagem pela história dos sistemas de numeração. Numa linguagem que sustenta o diálogo com o leitor, flui a informação da numeração entre astecas e maias, egípcios, sumérios, mesopotâmios. Sem nenhuma sobrecarga conceitual, com extrema clareza e sem qualquer traço de infantilização, o texto evidencia a contemporaneidade de vários dos conceitos e unidades de medida adotados há milênios.

Números são fascinantes, exatos, mágicos. O poeta alemão Hans Magnus Enzensberger explora a sedução que exercem no interessante O Diabo Dos Números (1997) e Os Gatos Pelados, grupo de desenhistas franceses, se entregam à sedução da forma dos números no fascinante apelo visual que desliza pelas páginas deste Brincando Com Os Números. A força do volume é plástica, muito mais que textual. No entanto é o conjunto de informação precisa, concisa e adequada e o balé dos algarismos que vão diferençar este livro de tantos outros semelhantes, voltados ao mesmo leitor. A presença dos personagens Fil e Pipo confere o rentável toque de ficção que vai estimular a participação pessoal do leitor no jogo com os números.

O objeto-livro foi projetado para atender com qualidade e alteridade a esse público. Os cuidados gráficos são evidentes, a diagramação é cuidadosa, adequados o tamanho e tipo de letra. A encadernação, porém, necessita de maior atenção quanto à colagem dos cadernos na capa, o que virá a garantir resistência aos inúmeros manuseios que com certeza vai sofrer um livro tão atraente.

Uma das deficiências na composição de nossas bibliotecas está no uso de obras de referência. No mundo contemporâneo, o saber é um cristal que se estilhaça, irradiando luminosidade em direções tão diversas e concorrentes, que os livros didáticos não dão mais conta de preencher. Enciclopédias, dicionários, livros informativos, se fazem cada vez mais necessários a fim de abrir para o indivíduo o acesso a um conhecimento que se multiplica e especializa. E como parafuso adequado na peça de articulação entre saber e prazer está o livro informativo em sua concepção atual, de que Brincando Com Os Números nos dá um bom exemplo.

Os Gatos Pelados vão muito além do tradicional recurso de humanização e animalização dos números, usado para inscrevê-los no afeto das crianças pequenas. O eixo de sua ilustração é a capacidade plástica, o potencial, o vir-a-ser no qual estamos imersos e ao qual costumamos virar as costas, em prol de uma estabilidade tão confortável quanto irreal.

Nossos conhecidos algarismos arábicos e romanos se metamorfoseiam, sugerindo formas instigantes, formas que abrigam formas, que são matéria para a construção de outras novas, insuspeitadas formas. Esses ilustradores trabalham sobre o palimpsesto de que fala o crítico literário Gérard Genette, propiciando nas múltiplas leituras que oferecem a formação de um olhar que vai se dirigindo para a apreensão do saber e sua utilização em um modo de vida mais propício ao humano.

É bom, e necessário, conduzir por esse caminho o leitor, desde a mais tenra idade.

Nilma Gonçalves Lacerda

PARECER 2

A recente onda de publicações sobre matemática mostra que a tão temida ciência está abandonando o espaço que antes pertencia somente àqueles considerados loucos ou esquisitos, passando a interessar também ao grande público. É o caso, por exemplo, deO último teorema de Fermat, de Simon Singh que, no Brasil, já está em terceira tiragem. A beleza dos números vai-se revelando, pouco a pouco, a todos. É como disse o grande matemático Paul Erdos, que faleceu em 1996, aos 83 anos, ao lhe perguntarem por que via beleza nos números: "É como perguntar por que a Nona sinfonia de Beethoven é linda. Se você não sabe o porquê, ninguém vai conseguir lhe explicar. Eu sei que os números são maravilhosos. Se eles não são, nada mais é."

Revelar, portanto, a beleza dos números para as crianças é a proposta da obra Brincando com os números, de Massin. Apresentando a viagem de dois amigos - Fil e Pipo - pelo "País dos Números", o autor propõe um breve passeio pela história da humanidade no que diz respeito ao uso dos números. Recuperando ora o sistema usado pelos astecas e os maias - que contavam de vinte em vinte -, ora o usado pelos egípcios - que contavam de dez em dez -, ora ainda o usado pelos sumérios - que contavam de seis em seis - o autor mostra como tal ou qual tipo de raciocínio ainda norteia nosso atual modo de contar. Do mesmo modo, recupera ainda os diferentes sistemas de medição de distâncias, de tecidos e de superfícies, que variam de região para região. Ressalta, também, que o sistema de notação em dez algarismos, inclusive o zero, conhecido pelos hindus desde o século IX a.C., chega à Europa na Idade Média, através dos árabes e torna-se o padrão oficial do ocidente, substituindo os algarismos romanos que, no entanto, ainda são usados em marcadores de relógios ou para encabeçar os capítulos de livros.

A excelente tradução de Heloísa Jahn e as ilustrações - de Os Gatos Pelados - propõem exatamente o que o título sugere: uma brincadeira com os números que, em sua plástica simplicidade, encerram múltiplas possibilidades de metamorfoses. Com efeito, isso torna-se patente na notação digital: com um oito formado por tracinhos horizontais e verticais é possível desenhar todos os números...

Elizabeth Vasconcellos

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