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Thursday, 29 August 2013 22:12

Uma idéia toda azul

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De Marina Colasanti. Il. Marina Colasanti. 18ª ed. Rio de Janeiro: Nórdica, 1979. 62p. De Marina Colasanti. Il. Marina Colasanti. 18ª ed. Rio de Janeiro: Nórdica, 1979. 62p.

De Marina Colasanti. Il. Marina Colasanti. 18ª ed. Rio de Janeiro: Nórdica, 1979. 62p. 

 

Uma idéia toda azul. Marina Colasanti. Il. Marina Colasanti. 19ª ed. São Paulo, Global Editora,1998. 64p. 1x1cor (14 x 21 x 0,4cm - 80 gr.)

  • Grande Prêmio da Crítica 1979 (Associação Paulista de Críticos de Artes) .
  • O Melhor para o Jovem 1979 (FNLIJ)
  • Prêmio Orígenes Lessa - "O Melhor Para o Jovem" - FNLIJ - 1979
  • Prêmio Associação Paulista de Críticos de Arte - Categoria Infantil - 1979
  • Projeto Ciranda de Livros (Ciranda 2) - 1983
  • Projeto Recriança/FNLIJ - 1986
  • Projeto Meu Livro, Meu Companheiro/FNLIJ - 1988

PARECER 1

Uma idéia toda azul nasceu clássico. Não porque trate temas que encontram parâmetros nos contos tradicionais, nem porque seus personagens são reais, princesas, unicórnios e fadas, mas porque fala de um mundo interior que permanece, não importa o passar dos tempos ou o aprimoramento da tecnologia. E porque, ao referir-se a esses sentimentos recônditos em todo homem e em cada um, o faz de modo altamente poético. É uma das obras em que conteúdo e forma surgem com a unidade perfeita que sempre deveriam ter e que caracteriza a obra literária.

Marina Colasanti uma das mais importantes autoras brasileiras para crianças e jovens renova neste livro, cria a partir do conhecido, transforma com as palavras um mundo que parecia nada mais poder oferecer de insólito. "Por duas asas de veludo", "Um espinho de marfim" e "Entre as folhas do verde O" têm como tema principal amor e morte. Nos dois primeiros, a morte como lugar de encontro e realização do amor: No último, o amor / desencontro.

Ainda o amor está presente em "Sete anos e mais sete" uma recriação do famoso "A bela adormecida no bosque". O ciúme entre irmãos seria o principal tema de "Além do bastidor" e "Fio após fio". Ambos penetram fundo nesse sentimento natural, possibilitando ao leitor aquela sensação, misto de identificação e horror.

Solidão e busca, outro sentimento angustiante da infância, é magistralmente tratado em "A primeira só".

Das possibilidades infinitas do pensamento e da liberdade fala-nos "O último rei". Kublai-Khan, último da dinastia Mogul, preso entre as muralhas do seu castelo, sabia do mundo lá fora pelo vento.

O conto-título, Uma idéia toda azul, acrescenta aos outros uma atitude crítica mais facilmente compreensível. O jovem rei esconde sua idéia, com medo que a roubem. Quando, já idoso, deixa o trono, corre atravessando salões e descendo escadas a caminho das "Salas do Tempo", para buscá-la. "Na cama de marfim a idéia dormia azul como naquele dia. Como naquele dia jovem, tão jovem, uma idéia menina. E linda. Mas o Rei não era mais o Rei daquele dia. Entre ele e a idéia estava todo o tempo passado lá fora, o tempo parado na Sala do Sono."

Uma idéia toda azul não é um livro apenas para crianças. Como os contos de Grimm ou Andersen, em suas versões integrais, tem intenções profundas que só serão apreendidas por adolescentes e adultos. Mas nem por isso a criança deve ser privada de sua leitura. A beleza e a sonoridade do texto, o lúdico dos jogos de palavras, a poesia imanente em cada frase são valores que ficam. E, no mais profundo, a criança reconhece essa linguagem da fantasia, que é a sua. Por isso ele foi selecionado para integrar a biblioteca da escola.

Graficamente cuidado, o livro apresenta bonitas ilustrações a traço da autora, que situam no tempo sentimentos tão intemporais.

Laura Sandroni

PARECER 2

Com todo o avanço da tecnologia moderna e os interesses das crianças voltados para os jogos digitais e os computadores, ainda há espaço para a leitura de contos de fadas. Apesar de tão distantes da produção de bens de consumo contemporâneos, os aspectos contidos nesses contos são básicos para a formação da personalidade das crianças. A premiada escritora e ilustradora Marina Colasanti possui uma obra voltada para o maravilhoso e o feérico, que caracterizam os contos de fadas. Seus contos, produzidos à luz da contemporaneidade, abordam princesas, encantamentos, castelos, metamorfoses.

Sua linguagem flui de forma espontânea, trazendo a fala do cotidiano dos personagens, preservada pela poesia de sua escrita. Os contos revelam os mistérios da alma humana, colhidos na realidade interna que carregamos, trazendo muitas vezes a linguagem do inconsciente, dos sonhos, da fantasia - que habita o território do imaginário, daquilo que nos distingue dos outros animais. É essa capacidade de fantasiar, de criar que pode ser explorada a partir da leitura de Uma idéia toda azul.

Outros livros da autora vieram depois deste como Doze reis e a moça no labirinto do vento e Ana Z, aonde vai você?, também com histórias de encantamentos, e todos seguem a marca de uma literatura fantástica, inaugurada com o presente título. Mas Uma idéia toda azul traz o ineditismo de uma produção com ares do passado, mas tratando de aspectos presentes na construção e definição da subjetividade. Logo, a importância de sua leitura na infância

As ilustrações em preto e branco, também da autoria de Marina, reproduzem imagens de um tempo presente que se atualiza nos valores trabalhados ao longo dos dez contos que compõem a obra. Cenas, objetos e personagens de seus contos estão dispostos como gravados, com características ora de um desenho popular, ora de um desenho repleto de magia com elementos das histórias fantásticas. Essas possibilidades enriquecem o olhar da criança, na expectativa de se construir um gosto estético que valoriza a fantasia e a arte.

Ninfa Parreiras

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