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Thursday, 29 August 2013 22:22

Viva o boi-bumbá

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De Rogério Andrade Barbosa. Il. Graça Lima. Rio de Janeiro:Agir,1996. 24p. De Rogério Andrade Barbosa. Il. Graça Lima. Rio de Janeiro:Agir,1996. 24p.

De Rogério Andrade Barbosa. Il. Graça Lima. Rio de Janeiro:Agir,1996. 24p. 

 

Viva o boi-bumbá. Rogério Andrade Barbosa. Il. Graça Lima. Rio de Janeiro:Agir,1996. 24p. (14,1 x 21,1 x 0,2cm - 70gr.)

  • Láurea "Altamente Recomendável para a Criança" - FNLIJ - 1995

PARECER 1

O folclore brasileiro possui manifestações das mais ricas e variadas. Quando a literatura se ocupa dessas manifestações, tomando-as como pano de fundo, possibilita-nos o conhecimento e a análise mais profunda da própria expressão folclórica.

Isso acontece com Viva o boi-bumbá, história que recupera uma festa tradicional da região de Parintins, no Amazonas - o Boi-Bumbá - também conhecido em outras regiões pelo nome de Bumba-meu-Boi, Boi-de-Reis e Boi-de-Mamão. Em alguns lugares, é uma festa ligada ao Natal; em outros, relaciona-se às festas de junho e este é o caso de Parintins.

Ambientando sua narrativa na região amazônica, o autor cria uma história que nos permite revisitar as origens da própria tradição do Boi-Bumbá: voltando para casa, depois da festa, um casal e seu filho singram o rio de canoa, enquanto recordam os momentos passados na festa, ao som dos batuques e toadas e sob o efeito do jogo de luzes e cores.

A pedido do menino, a mãe conta a história do boi-bumbá, enfatizando a "morte do boi" que, aliás, constitui a encenação mais empolgante da festa em si. E o leitor encontra uma narrativa dentro de outra, intermediada por esse relato singular da narradora feminina - personagem também da própria história.

Assim, pela via da ficção, conhecemos uma das versões acerca das origens desse folguedo tão popular de norte a sul do país.

Com um projeto gráfico bem cuidado, o livro é todo cores e tons, tão de acordo com a festa em si: colorida, alegre, vibrante. Autor e ilustradora interagem de maneira criativa, enchendo os olhos e a imaginação do leitor. Este, estimulado pelo interesse do menino-personagem, tem na leitura da obra todo o arsenal de que precisa para redescobrir e valorizar o folclore e suas expressões mais autênticas.

Nesse sentido, a obra se insere no contexto da literatura brasileira com um convite à fruição.

Eleonora Cretton Abílio - PROALE/UFF

PARECER 2

O boi-bumbá, um dos mais antigos e rememorados autos populares brasileiros é muito difundido no norte e nordeste do país. Partindo de uma das versões conhecidas pelas manifestações folclóricas dessas regiões, o autor, renomado pelas suas histórias que resgatam a tradição oral, produz um texto cheio de magia e encantamento.

Um menino é o personagem principal, que vai relembrando dos momentos mais emocionantes da festa de Parintins, na margem do Rio Amazonas, oportunidade em que são descritos todos os elementos que fazem parte desta expressão popular. Aí o autor abre mão de informações e explicações sobre a festa que se tornou famosa no País. Esta é uma oportunidade para a criança conhecer além do que se divulga na mídia sobre o "carnaval"de Parintins, tomando contato com as fontes desta festa popular.

A origem da lenda do boi-bumbá é recontada pela mãe do menino, num gesto de afetividade, que valoriza a transmissão das histórias populares. Logo, o leitor vai entrar no imaginário desta tradição genuinamente brasileira que é revivida anualmente em uma encenação festiva da "morte do boi". O auto do boi-bumbá conta sobre uma senhora que, grávida, tem o desejo de comer a língua de um boi. Seu marido vai ser duramente punido pelo patrão que descobre toda a armação que havia deixado o boi morto. Mas entra em cena a figura mítica do pajé, que vai salvar o casal, como também o boi, num belíssimo resgate da tradição indígena.

Nota-se no interior dessa história elementos da cultura brasileira como o pajé, um curador com conhecimentos de fitoterapia, a relação submissa patrão / empregado. E o que há de muito relevante é a reencenação da morte do boi que é a própria confirmação da vida. Observa-se ainda a aparição de representantes da burguesia social (o fazendeiro, o médico) e da igreja (o padre), vivendo uma situação de injustiça e castigo. Presentes nos autos nordestinos, estes representantes da sociedade são satirizados na tentativa de promover a reflexão do leitor por meio do humor que disfarça o ataque aos poderosos.

O projeto gráfico está bonito, com textos e imagens impressos em papel cuchê. O colorido da festa do boi é reproduzido pela ilustradora que investe nos movimentos e nos ângulos disformes. Fica para a criança leitora a imagem de uma festa folclórica que explora cores e adereços na remontagem do auto do boi que explora os limites do regionalismo por tratar de questões tão presentes na vida dos brasileiros (injustiças sociais, sabedoria popular, poder dos fortes - igreja e patrões).

Ninfa Parreiras

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