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Thursday, 29 August 2013 22:25

Zoom

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De Istvan Banyai. Trad. Gilda de Aquino. São Paulo:Brinque-Book, 1995. 64p.  De Istvan Banyai. Trad. Gilda de Aquino. São Paulo:Brinque-Book, 1995. 64p.

De Istvan Banyai. Trad. Gilda de Aquino. São Paulo:Brinque-Book, 1995. 64p. 

 

Zoom. Istvan Banyai. Il. de Istvan Banyai.Trad. Gilda Aquino. São Paulo:Brinque-Book,1995. n.p. (18,5 x 22,5 x 0,5cm - 230 gr.)

  • Prêmio Luís Jardim -"O Melhor Livro de Imagem" - FNLIJ - 1995

PARECER 1

Zoom é uma experiência fascinante, obra para o leitor de qualquer idade que agrada bastante à criança pelo jogo instaurado desde a primeira imagem, tomada de muito perto, pela lente "zoom" de uma câmara fotográfica que o desenhista trouxe para o seu trabalho. Vista de muito perto, e por isso indefinível. O desenhista-fotógrafo afasta um pouco a lente, o objeto se define. É a crista de um galo. Afasta mais um pouco a lente - é a crista de um galo empoleirado numa cerca, observado por duas crianças. Outro afastamento - duas crianças que estão numa casa. Uma casa que está no campo. Um campo onde há outras casas e construções. Construções que se vão acrescentando pela mão de uma menina. Uma menina que brinca com uma fazenda de brinquedo. Uma menina em cima de uma cadeira, ajustando mais uma peça do brinquedo sobre a mesa, e uma moldura no alto da cena. A menina está numa página de revista. Numa página de revista, entre os dedos de um garoto que dorme. O jogo segue ainda por muitas páginas, em cada uma o todo se revelando parte, numa relativização cujo limite é a última página do livro, ou o planeta na sua aparente solidão.

No parecer emitido sobre o livro Leonardo, de Nelson Cruz (indicação para terceira série), foram tecidas várias considerações sobre a importância e a necessidade da presença dos livros de imagem na biblioteca da criança brasileira. Reiteram-se aqui as considerações, acrescendo-se a observação do valor que tem o livro de fotografias na biblioteca do adulto. Costumam ser, inclusive, bastante sofisticados. As publicações dos trabalhos de Sebastião Salgado ocupam espaço importante no mercado editorial. Os franceses têm a famosa coleção Photo Poche, os americanos se esmeram nas publicações do gênero. Um volume, simples e precioso, da autoria do historiador Boris Kossoy, Fotografia e História (série Princípios, editora Ática), leva o leitor a observar de que a maneira a História pode ser observada e analisada a partir de um maço de retratos.

A presença de Zoom junto ao leitor de quarta série é pertinente, necessária, enriquecedora, substancial. Bastante atraente, publicação de qualidade, o objeto-livro merece apenas receber uma atenção maior para sua encadernação, basicamente quanto ao tipo de colagem dos cadernos na capa.

Istvan Banyai, húngaro que vive nos Estados Unidos, articula imagens numa narrativa visual cuja direção de leitura pode se dar em dois sentidos, acirrando ao máximo o deslocamento das posições fixas. Justo quando você pensa que sabe onde está, recebe uma nova informação que vai colocá-lo em outro lugar, para ser novamente informado de que não está onde pensa que está.

Machado de Assis gostava desse jogo, Fernando Pessoa também, Pirandello era exímio nessas articulações entre o real, o possível, e a zona fronteiriça que tudo confunde. A obra desses escritores se fundamenta na relativização, na tênue fronteira entre ser e parecer, questões que são o eixo estruturador de alguns dos melhores contos de Andersen: "O Patinho Feio", "A Princesa E A Ervilha", "A Sombra".

A presença de Zoom na biblioteca do aluno de quarta série proporciona a ele muito prazer, uma condição valiosa de sujeito explorador, de eu pensante que vai arrumando a pouco e pouco sua bagagem de perguntas, seu equipamento de procurar respostas para se lançar à aventura de ser e agir no mundo. A menção, na quarta capa, da aventura filosófica que este livro oferece, referenda e atualiza a preocupação do renomado ilustrador brasileiro Rui de Oliveira. Para ele, como elemento determinante na constituição do universo, o olhar precisa educar-se para o constante exercício.

Nilma Gonçalves Lacerda

PARECER 2

É um livro todo de imagens, favorecendo imensamente a relação de grandeza e de posição do foco da ilustração.

Além disso, num leitor de imagens que não tenha sido ainda deformado pelas ilustrações lineares, poderá observar outros detalhes bem ricos tais como: a seleção, na página 20 da figura que, estando na murada superior do navio, reaparece dentro do 'O' de Zoom. Há apenas a modificação das cores no cabelo, camiseta e braços.

As folhas ímpares são negras oferecendo uma pausa para as imagens pares ilustradas.

A capa contem apenas o título, a pequena figura e o nome do ilustrador em composição bem menor. O nome da editora aparece em preto na lombada amarela. O objeto-livro é colado e costurado.

O frontispício é impresso logo na página 1 e, dispensando guarda.

Dedicatória, "colofon" e ficha catalográfica estão na página 63 em branco, dispensando a guarda final.

Na contracapa encontra-se uma pequena orientação verbal escrita que, ao meu ver, só deve conter as perguntas do professor quando todas as crianças já tenha manuseado o livro e até conversado entre elas. Esse espaço de observação, de reflexão é bem importante. É comum as crianças, jovens e adultos descobrirem antes de nossas perguntas, a direção da leitura, a descoberta das distâncias, a interceptação dos carros onde o artista usou a imagem de uma pessoa atravessando com um carrinho, para não se confundir com um possível caos no tráfego, o caminho da carta, até o barquinho lá longe, a imagem na televisão, a Terra, o espaço...

É um belo objeto livro de 27,5 x 18,5 de leitura vertical (medida maior) com capa cartonada sem orelhas.

Apesar de ser um livro estrangeiro ele não é traduzido por se tratar de um objeto - livro de imagens e ilustrações que têm leitura internacional. Apenas a dedicatória, o "colofon" e a ficha bibliográfica foram escritos em português.

Regina Yolanda Werneck

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